Conhecemos a Rádio Favela em Belo Horizonte



Conhecer a Rádio Favela: quando a comunicação nasce da comunidade
Visitar a Rádio Favela, no Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte, é compreender que comunicação popular não é apenas uma profissão ou uma tecnologia. É um ato de resistência.
Essa visita aconteceu após o 6º Encontro de Mídias em Belo Horizonte, quando fomos convidados por José Guilherme, que nos levou até a Rádio ao lado de Peninha. Lá, tivemos a oportunidade de conhecer Misael, que no filme Uma Onda no Ar é representado pelo personagem Jorge, o ator principal da história.
Antes mesmo de entrar na rádio, percebe-se que aquele território carrega uma história construída por pessoas que decidiram romper o silêncio imposto às periferias. Em um país onde, durante décadas, os grandes meios de comunicação pouco ouviam as favelas, a Rádio Favela surgiu para inverter essa lógica: a comunidade passou a falar por si mesma.
O filme Uma Onda no Ar, dirigido por Helvécio Ratton, traduz essa trajetória ao contar a história inspirada na criação da emissora. Mais do que mostrar a perseguição policial e as dificuldades para manter uma rádio comunitária funcionando, o filme revela algo ainda mais profundo: a comunicação pode salvar vidas, fortalecer identidades e criar pertencimento.
Conhecer a Rádio Favela é perceber que ela nunca foi apenas um transmissor de rádio. Ela foi um espaço de denúncia, de informação sobre direitos, de valorização da cultura negra, do hip-hop, da música popular e das histórias que dificilmente encontravam espaço na mídia tradicional. Enquanto muitos enxergavam a favela apenas pelos índices de violência, a rádio mostrava seus artistas, suas lideranças, seus trabalhadores e sua potência criativa.
Para quem atua com comunicação popular, a visita desperta uma identificação imediata. A luta da Rádio Favela dialoga com tantas outras experiências espalhadas pelo Brasil: coletivos de mídia independente, rádios comunitárias, jornais de bairro e produtoras audiovisuais que acreditam que contar a própria história também é uma forma de disputar direitos.
A experiência também provoca uma reflexão importante: equipamentos são importantes, mas nunca foram o principal. A força da Rádio Favela sempre esteve nas pessoas, na organização coletiva e na convicção de que a comunicação é um direito fundamental.
Sair dali é entender que o legado da Rádio Favela continua vivo. Hoje as frequências podem ter sido substituídas por redes sociais, podcasts, vídeos e transmissões digitais, mas o princípio permanece o mesmo: democratizar a palavra e garantir que as periferias contem suas próprias histórias.
Durante essa visita, eu, Maycom Mota, estava ao lado da coordenadora geral do TMB, Dad Matos, e da responsável pelas Relações Institucionais, Ciça Figueira, compartilhando esse momento tão significativo para quem acredita na comunicação como ferramenta de transformação social.
Mais do que visitar um espaço histórico, conhecer a Rádio Favela é encontrar uma das raízes da comunicação popular brasileira e reconhecer que muitas das iniciativas que existem hoje caminham sobre o caminho aberto por quem, décadas atrás, ousou colocar uma simples antena no alto do morro para fazer ecoar uma mensagem que continua atual: toda comunidade tem o direito de ser ouvida.
E para ver mais sobre essa experiência, confira o vídeo no canal da Dois Neguin.