Mais de 90% de surfistas sentem efeitos das mudanças climáticas

Publicado por Márcio Leal Gonçalves, responsável pela mídia Instituto Tijuípe, em 14/07/2026
Foto de 2013, “A Onda da Mudança” traz o surfista Dede Suryana pegando um tubo em onda de lixo na Indonésia e hoje é símbolo da importância da proteção dos oceanos. Foto: Zak Noyle

Lançada em junho, a pesquisa Raio-X Ecosurf 2024–2025 mostra que 91,8% de surfistas brasileiros afirmam que o Oceano Atlântico já está sendo afetado pelas mudanças climáticas. O estudo foi elaborado pelo Instituto Ecosurf, que entrevistou surfistas de 18 estados, com 539 respostas válidas envolvendo a observação de 725 locais de surfe pelo país.

Entre os impactos das mudanças climáticas mais percebidos pelas pessoas praticantes do esporte, 53,6% apontaram a a elevação do nível do mar e 50,3% a perda ou estreitamento das praias.

Já 93,9% afirmam ver resíduos plásticos sempre ou frequentemente nos ambientes costeiros que frequentam. E 43,2% dizem encontrar animais marinhos mortos sempre ou frequentemente, o que indica percepção recorrente de degradação ecológica nos territórios do surfe.

“O surfista é uma espécie de sensor social e ecológico da zona costeira. Ele observa o mar todos os dias, percebe mudanças na água, nas ondas, na areia, na fauna e na presença de lixo”, define João Malavolta, CEO do Instituto Ecosurf.

Envolvimento

A pesquisa revela que a situação levou a mudanças de comportamento de praticantes, com 97,2% tendo alterado hábitos pessoais. E, ao mesmo tempo, 99,6% participam de cobranças continuadas para investimentos públicos no combate à poluição e 98% pedem maior responsabilização das empresas.

Segundo o Instituto Ecosurf, esse conjunto de respostas revela que a comunidade do surf reconhece a importância das ações individuais, mas vai além: exige políticas públicas, fiscalização, infraestrutura e responsabilidade corporativa.

Bahia

A Bahia é o estado com maior número de respondentes (7,2% do total no país), sendo que Itacaré e Ilhéus tiveram a participação de 13 praticantes do surfe. No estado, 74,4% afirmam que as mudanças climáticas afetam o Oceano Atlântico e as condições do surf de forma significativa.

Já 97,4% demonstram algum grau de preocupação com a poluição plástica no Oceano e o mesmo percentual diz já ter mudado a rotina para reduzir impacto ambiental. Mas 64,1% de praticantes baianos consideram que o engajamento dos surfistas na proteção da natureza não é satisfatório.

Observatório

O Instituto Ecosurf criou ainda o Observatório Ecosurf, plataforma digital interativa que permite explorar os resultados da pesquisa, cruzando dados, filtrando informações por território, visualizando gráficos, comparando recortes nacionais e regionais e acessando respostas abertas.

A ferramenta foi desenvolvida para apoiar jornalistas, profissionais da pesquisa e da educação, organizações da sociedade civil e gestões públicas na interpretação dos dados e na formulação de políticas para proteção das praias, ondas e ecossistemas costeiros.

A navegação na plataforma deve ser feita, preferencialmente por computador, já que reúne mapas, gráficos interativos, painéis comparativos e recursos de exploração semântica que funcionam melhor em tela ampla.

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