Julho das Pretas: Com Elisa Lucinda, Paulina Chiziane e Raquel Lima, documentário baiano “Cartas Para” tem exibição amanhã em Salvador

Publicado por Andréia Vitório, responsável pela mídia curadoria.pautas.etc, em 27/07/2026

Filme faz trajeto literário e afetivo entre escritoras na diáspora e foi exibido no último sábado (25) na FLIP.  Foto: Divulgação 

Veja o trailer: https://youtu.be/jITHBRqqy8I 

O documentário “Cartas Para”, dirigido por Vânia Lima com produção da Têm Dendê Produções, ganha uma agenda especial em julho, com uma exibição amanhã (28), às 19h, no espaço Boca de Brasa Cajazeiras. No filme, que tem distribuição da Lança Filmes, Paulina Chiziane, em Moçambique, Elisa Lucinda, no Brasil, e Raquel Lima, em Portugal, têm seus cotidianos revelados e alterados na troca de nove cartas que atravessam o Atlântico e sua história colonial. No último sábado (25), “Cartas Para” chegou à Festa Literária Internacional de Paraty.

A produção baiana percorreu importantes festivais no Brasil, como o Festival do Rio e a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Os desejos e angústias de Elisa, Paulina e Raquel para seguirem escritoras na diáspora são apresentados em uma narrativa poética de sons, espiritualidades e corpos, que a existência desafia o racismo, machismo e xenofobia, mirando no futuro da Língua Portuguesa e seus falantes.

As artistas se debruçam sobre os processos que envolvem seus trabalhos, o papel da escrita em suas vidas e a descoberta de suas vozes. Elisa Lucinda, por exemplo, afirma, no filme, que considera o poema como uma carta. “Todo poeta está escrevendo uma carta, um bilhete. Mesmo que seja para si mesmo. Mesmo que seja para o imaginário. Nunca é sem remetente”, diz a poetisa que é também cantora e atriz. A brasileira se destaca no mercado editorial nacional e é uma das maiores responsáveis pela popularização da poesia no país. 

“O poder de uma voz não conhece fronteiras e atravessa espaços e tempos. (…) Para ter voz, é preciso lutar por ela e conquistá-la”, escreveu Paulina Chiziane em carta para Raquel Lima, revelada no filme. “A escrita, para mim, funciona como esse espaço de exorcismo dos meus fantasmas”, diz, no documentário, a escritora moçambicana, militante do feminismo, a primeira mulher negra a publicar um romance em Moçambique e a primeira mulher africana a receber o Prêmio Camões (2021). 

“Eu acho que a língua é um espaço de poder, um espaço para problematizar. Mas também um espaço para ocupar e para reinventar”, analisa, em “Cartas Para”, Raquel Lima, poeta, investigadora, arte-educadora e ativista portuguesa. Ela é doutoranda do Programa Pós-Colonialismos e Cidadania Global do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e a sua investigação centra-se em Oratura, Escravatura e Movimentos Afro Diaspóricos. 

A diretora Vânia Lima define o projeto como um trabalho de criação compartilhada. “Contamos uma história juntas, um filme com elas e não sobre elas. Foi uma experiência que mudou a minha forma de dirigir e de pensar documentário”. 

Com produção da Lima Comunicação, parte do Grupo Têm Dendê, “Cartas Para” reúne profissionais do Brasil, Moçambique e Portugal. A equipe conta ainda com Keyti Souza e Taguay Tayussy na produção executiva, Bruno Ramos na direção de produção e Cláudio Antônio na direção de fotografia. O filme foi realizado com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), via Prodecine/2016 e Suporte Automático, gerido pelo BRDE e Agência Nacional de Cinema (Ancine).

A exibição em Salvador integra o Circuito Mulheres Negras em Movimento 2026, uma política pública da Prefeitura de Salvador, coordenada pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (SECULT), OEI no âmbito do programa Salvador Capital Afro. Na cidade, Raquel Lima participou também de uma mesa ontem(26), no mirante da Casa das Histórias.

 

Dados técnicos
Direção: Vânia Lima
Roteiro: Vânia Lima 
Empresa Produtora: Têm Dendê Produções / Lima Comunicação
Produção executiva: Keyti Souza, Taguay Tayussy
Direção de produção: Bruno Ramos e Keyti Souza
Direção de fotografia: Claudio Antônio
Montagem: Juliana Guanais
Som direto: Gabriela Damasceno, Laura Zimmermann, Ana Luiza Penna, Haydson Oliveira, Ivan Muniz 
Desenho de Som: Eduardo Ayrosa
Trilha sonora: Luciano Silva, Lenna Bahule
Elenco completo (nome e crédito): Elisa Lucinda, Paulina Chiziane, Raquel Lima
Data de finalização: Julho/2025
País de produção: Brasil, Moçambique, Portugal
Duração: 89 min
Gênero: Documentário
Distribuição: Lança Filmes

Sobre a Têm Dendê
Com 26 anos de fundação, o Grupo Têm Dendê constrói seus filmes a partir de uma relação com as diversas audiências, se destacando por um portfólio diversificado com longas documentais, séries de ficção e documental, além da carteira mais recente de filmes, com “Sambadores”, “Um Carnaval em Cada Esquina”, “Pontos de Força”, “Tempo à Faca”, “Antes que me esqueçam meu nome é Edy Star”, entre outros projetos que atravessam fronteiras físicas, de linguagem e afetivas.
Site: https://temdende.com.br/
Redes Sociais: https://www.instagram.com/temdende_

Sobre a distribuidora
A Lança Filmes é uma empresa distribuidora de conteúdo audiovisual. Sediada no Rio Grande do Sul, a Lança atua na difusão de obras que provocam, emocionam e expandem os horizontes do público. Com mais de 30 estreias de longas-metragens nos cinemas, a empresa trabalha também com conteúdos para diferentes janelas, como televisão e plataformas digitais, acompanhando os projetos desde a fase inicial até sua chegada ao público. Entre seus títulos mais recentes estão Máfia de Pelúcia, Bia Mais Um, Os Dragões, A Primeira Morte de Joana e O Mestre da Fumaça.
Site:  https://www.lancafilmes.com.br/
Redes sociais: https://www.instagram.com/lancafilmes/

 

Ver todas as publicações