Periferia: uma categoria em disputa

Publicado por Wellington Frazão, responsável pela mídia Periferia em Foco, em 07/05/2026

Periferia: local de origem e de potência criativa, e não apenas de precariedades!

Belém é cidade mais favelizada do país, segundo dados do censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, tendo duas das quinze maiores favelas, baixada da estrada nova e assentamento sideral. São mais de meio milhão de pessoas empurradas para as bordas, atingidos da especulação imobiliária. No Brasil, esse território é conhecido por diversos nomes como favelas, invasões, grotas, baixadas, comunidades, vilas, ressacas, palafitas, entre outros.  Mas do que superar o imaginário social a respeito desse território, é preciso que as soluções que vem e existem na perifa sejam valorizadas e incentivadas na prática e não fique só nas palavras.

Periferia: um território de soluções: O cientista social e pesquisador Tiaraju Pablo D’andrea, caracteriza as periferias como local de origem e de potência criativa, e não apenas de precariedades. Como afirma D’andrea, as melhores soluções para a consolidação da democracia no Brasil saem das periferias. E sobre isso destaco a plataforma Território Mídias Brasil que conecta mídias populares para enfrentar desigualdades na comunicação. A proposta do projeto é oferecer estrutura e espaços de troca para que rádios, jornais, zines, TVs comunitárias, coletivos de comunicação, comunicadores populares e mídias digitais possam criar em rede, trocar experiências e ampliar o alcance de suas vozes. Para isso, o TMB disponibiliza uma plataforma digital com espaço de armazenamento gratuito, biblioteca coletiva, fóruns, encontros virtuais periódicos e encontros presenciais nos estados participantes.

Ser Periferiano: A sujeita e o sujeito periférico, conceito utilizado por D’andrea, defini aquelas e aqueles que deram conta da condição de compreenderem que a vivência no território os constituem como seres humanos. Essa consciência de pertencimento leva a uma ação política de reivindicação e afirmação da periferia. Dentre as várias histórias de superação que vivem nesse território, destaco a periferiana Suzana Amaral, moradora do bairro do Tapanã, que depois de perder o filho, em uma chacina na cidade de Belém/Pa em 2014, tem dedicado a vida como ativista de direitos humanos e participa de grupos de apoio a outras mães que passam pela mesma situação. Suzana é Presidente do instituto Marcinho Mmegas Kamaradas. Defensora de Direitos humanos e Conselheira Da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos – Sddh-PA. Amaral é uma das vozes que ecoam na defesa por um lugar de direitos, pois todos os dias Suzanas, Marias e tantas outras existem e resistem em ressignificar à periferia.

 

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