Por que Periferia?

Publicado por Wellington Frazão, responsável pela mídia Periferia em Foco, em 11/04/2026

Por que Periferia?

imagem gerada no ChatGPT

: “Nenhuma ‘ordem’ opressora suportaria que os oprimidos todos passassem a dizer: ‘por quê?’” Paulo Freire. 

Paulo Freire, em uma passagem da obra Pedagogia do Oprimido trás essa afirmação que ecoa com ainda mais força quando falamos sobre a periferia. Dizer “por quê?” é mais do que questionar: é um ato de consciência, de enfrentamento, de afirmação da humanidade. E é justamente esse movimento de interrogar e resistir que tem nascido, crescido e se multiplicado nas bordas da cidade. Periferia — esse termo carregado de estigmas, ausências e distâncias — passou a ser o centro de uma nova forma de produzir saberes, cultura, soluções e esperança. Por que periferia? Porque é nela que as contradições da cidade gritam com mais força: onde falta saneamento de qualidade, sobra criatividade; onde falta transporte digno, transborda coletividade; onde faltam políticas públicas, florescem redes de solidariedade. Falar da periferia é recusar a lógica dominante que a trata como problema. É entender que ela é parte essencial da cidade e, portanto, deve ser reconhecida como sujeito histórico, político e cultural. É nesse território, muitas vezes empurrado para a invisibilidade, que surgem vozes, expressões artísticas, experiências comunitárias e projetos transformadores que nos obrigam a repensar a própria noção de centro e periferia.

Por que?

Perguntar “por quê?” pode ser o começo da liberdade.

Paulo Freire nos ensinou que perguntar “por quê?” é o início do processo de libertação. Assim, quando moradores da periferia perguntam “por que não temos acesso aos mesmos direitos?”, “por que a arte da nossa quebrada não está nas galerias?”, “por que nossos saberes não são considerados ciência?”, não estão apenas desabafando — estão politizando sua existência. Hoje, quando comunicadores comunitários, educadores populares, artistas e lideranças locais se levantam nas periferias, não o fazem por permissão, mas por urgência. Criam meios, constroem narrativas e formulam alternativas porque sabem que não podem esperar que o centro resolva os problemas da borda. A periferia, mais do que um espaço geográfico, é um espaço de potência. Por isso, seguimos perguntando: por que a periferia ainda é tratada como problema? Por que seus moradores ainda precisam provar seu valor? Por que a cidade insiste em crescer para fora, mas não se compromete com quem já está nas bordas? Enquanto não houver respostas que levem à justiça social, seguiremos perguntando. Porque, como bem disse Freire, perguntar “por quê?” pode ser o começo da liberdade.

 

 

 

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